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09/01/2007

Publicado em Jornal de Hoje


Educadores analisam resultado na rede pública

Secretaria de Educação defende o bom índice de aprovação, mas Instituto acha importante considerar em que cursos alunos passaram

O bom desempenho dos alunos da rede pública de ensino no vestibular 2007, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é motivo de comemoração entre os educadores, mesmo que alguns defendam um melhor aprofundamento na estatística. Do total de aprovados no vestibular, 39% cursaram o ensino médio em uma escola pública e, deste percentual, apenas 3% entraram com a ajuda do argumento de inclusão, que é a política de acesso utilizada pela UFRN, conforme anunciou ontem a Comissão Permanente de Vestibular (Comperve).

O secretário estadual de educação Hudson Brandão disse que o resultado deste ano é motivo de alegria para todos que fazem o ensino público no Estado e é o fruto do que foi plantado em 2006. "Depois de muitas críticas ao ensino do Rio Grande do Norte, isso é uma resposta. O que posso dizer é que o Governo está investindo nas escolas e nos professores. Fico feliz porque isso é um reflexo de nossa meta, de recuperar a escola pública, para que seus alunos possam um dia concorrer igualmente com os das instituições particulares", diz o secretário. 
Ele revela que o objetivo da Secretaria no futuro é incentivar que os alunos da rede pública se inscrevam e concorram no concurso, e que para isso, está se investindo a cada ano em cursinhos pré-vestibulares, custeados pelo Estado. "Hoje existem dez escolas do Estado que oferecem cursisnhos, entre elas o Floriano Cavalcante, com bons índices de aprovação. Isso é mudança que queremos colocar na cabeça do aluno, que mesmo não passando no primeiro vestibular, ele tem a oportunidade de tentar novamente", revela Hudson. 
No entanto, o secretário afirma que ainda há muito trabalho para ser desenvolvido dentro das escolas, como melhorar a alfabetização dos alunos, já que 80% dos estudantes de ensino médio encontram-se no Estado. "A meta de aparelhar e melhorar as escolas continua a ser trabalhada, principalmente em programas de aprendizado. Este ano foi marcado pelas críticas, mas muito foi feito e o resultado da aprovação é um fruto colhido", diz Hudson Brandão.

A diretora do Instituto de Desenvolvimento para Educação (IDE), Eleika Bezerra, reconhece que o índice é uma boa notícia, mas que deve-se analisar com cuidado a estatística, levando em consideração alguns parâmetros, como os cursos e o índice de alunos no ensino público. "O fato de 88% dos alunos do ensino médio estarem na rede pública de ensino é um dado que precisa ser levado em consideração. Se aprovamos 39%, isso é bom, mas ainda está longe do ideal. Além disso, seria interessante saber quais foram os cursos que aprovaram esses alunos, para ver se eles estão entre os mais concorridos", diz Eleika. 
A educadora explica sua preocupação em levar em consideração esses dados. É o baixo índice de alunos da rede pública que se inscrevem no vestibular. Ela acredita que muitos deles se sentem temerosos com a idéia de competir com outros alunos, supostamente melhor preparados, o que faz com que o alunos da rede pública desistam. "As escolas, além de preparar a parte acadêmica do aluno, precisam se acostumar a exercitar a auto-estima deles.", afirma Eleika Bezerra.

A diretora do IDE revela outro problema, que diz respeito à preparação básica destes alunos, o que segundo ela é algo de ordem nacional. "A partir de hoje, ou se cuida do aluno do ensino básico ou continuaremos a ter destaques isolados, no acesso ao ensino superior. O RN, por exemplo, dá mais prioridade ao ensino superior no tocante aos investimentos e recursos. Além de facilitar o acesso à Universidade, é essencial que se prepare o aluno para ingressar no ensino superior, para que ele chegue lá sabendo ler e redigir um texto", explica a diretora do IDE.

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