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O Brasil superou as metas na educação propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para serem alcançadas em 2009, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta quinta-feira (1º). O resultado repete o desempenho de 2007, quando as metas estipuladas pelo governo também foram ultrapassadas. Apesar do avanço, o ensino médio continua mostrando desempenho baixo em relação ao ensino fundamental.
A avaliação foi criada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e leva em conta dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho na Prova Brasil.
A Prova Brasil avalia o desempenho de estudantes em língua portuguesa e matemática no final dos ciclos do ensino fundamental, de 4ª série (5º ano) e 8ª série (9º ano), e no terceiro ano do ensino médio.
Em 2009, os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental tiveram 4,6 pontos. A meta era de 4,2. Em 2005, esses alunos tiveram 3,8 pontos. Em 2007, tiveram 4,2 contra meta de 3,9. Estudantes dos anos finais do ensino fundamental tiveram 4 pontos em 2009. A meta era de 3,7. Em 2005, a nota foi de 3,5. Em 2007, o índice foi de 3,8 contra meta de 3,5.
Alunos do ensino médio têm o pior desempenho e crescem no ritmo mais baixo. Em 2009, tiveram 3,6 e a meta era de 3,5. Em 2005, a nota foi de 3,4. Em 2007, o índice foi de 3,5 e a meta era de 3,4.
"Vínhamos de um período de recessão na educação. Em 2001, tivemos o pior momento das crianças em matemática e língua portuguesa. Então, conseguimos ter uma arrancada mais forte nos anos iniciais que vai se propagando ao longo do tempo. Os que hoje estão vivendo os anos finais são os que viveram os anos iniciais há anos. Por isso, a curva dos anos iniciais começa bastante inclinada e tende a perder a curvatura até convergir para a nota 6 em 2021. Por isso, o vigor dos anos iniciais pode ser melhor que dos níveis médios. Se as projeções do Inep forem mantidas, vamos ver um crescimento um pouco mais forte nos níveis finais. É isso que está previsto no modelo do Inep", disse o ministro Fernando Haddad.
O objetivo estabelecido pelo MEC quando criou o índice, em 2007, foi que todas as séries atinjam níveis educacionais de países desenvolvidos até a divulgação do índice em 2022. As metas, que fazem parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), para alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) é chegar a 6 pontos; para alunos dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) é de 5,5 pontos e para o ensino médio é de 5,2 pontos. A escala vai de 0 a 10.
Segundo o resultado do Ideb divulgado pelo MEC, as melhorias no índice foram motivadas, principalmente, por desempenho melhor na Prova Brasil no ensino fundamental. No ensino médio, porém, houve um crescimento do rendimento escolar e uma menor influência do desempenho na Prova Brasil no índice.
Sobre uma possível antecipação das metas, Haddad prefere ser cauteloso. "Em caso dos anos iniciais, o ritmo está tão forte que o índice poderia ser até antecipado. Não é recomendado. Vamos manter esse passo e esperar o próximo resultado da Prova Brasil. Se em 2012 houver a confirmação de que a consistência se renova, poderemos projetar a antecipação", afirmou.
De acordo com o MEC, os dados estaduais do Ideb devem ser divulgados na próxima semana.
Resultado do ensino médio no Ideb é preocupante, diz especialista
Avaliação é do presidente executivo da ONG Todos pela Educação.
Melhorias virão com valorização de professores e reforma curricular.
Fernanda Nogueira
O avanço de apenas 0,1 ponto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrado pelo ensino médio, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo Ministério da Educação (MEC), é preocupante, de acordo com o presidente executivo da ONG Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos.
Passar da nota 3,5, em 2007, para 3,6, em 2009, mostra uma estagnação, segundo Ramos. A escala vai de 0 a 10. A meta para 2021 no ensino médio é de 5,2 pontos. “As boas notas do ensino fundamental não se perpetuam no ensino médio. O que puxou as notas nas séries iniciais foi o desempenho dos alunos e não a aprovação. No ensino médio, o peso da aprovação foi muito maior que o desempenho, relativamente. É muito preocupante a questão do ensino médio. Isso coloca um desafio para os próximos governadores”, afirmou.
A avaliação foi criada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e leva em conta dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho na Prova Brasil.
Para Mozart, uma reforma do ensino médio deverá ser colocada na agenda de prioridades dos próximos governadores, que deverão articular as ações com o MEC. “Eles têm de focar, principalmente, na valorização dos professores e na reformulação do currículo, que precisa ficar mais atraente”, disse.
Países que têm os melhores níveis educacionais, como Finlândia e Coréia do Sul, atraíram jovens talentosos para atuar nas salas de aula, de acordo com o presidente executivo do Todos pela Educação. “Aqui, ocorre o contrário”, afirmou.
Mudanças no currículo também são essenciais para manter estudantes na escola, segundo a avaliação de Ramos. “Hoje, dos que se evadem, 40% fazem isso por desinteresse.”
Sobre as séries do ensino fundamental, Ramos afirmou que devem alcançar o Ideb de 6, nota de países desenvolvidos, antes da data prevista. A meta é chegar à nota em 2021, mas as notas podem ser atingidas em 2016 ou 2018, de acordo com Ramos. “Apesar de estarmos comemorando, é importante lembrar a cada novo biênio o esforço será muito maior que o anterior."
Fonte: G1